Quem é que nunca teve um dia de "cão", aquele que, quando acaba você fica pensando: por que eu sai de casa hoje? Pois bem terça feira foi um verdadeiro pesadelo pra mim ...
O dia estava nublado e ventava muito. Aproveitei pra ficar na cama até mais tarde. No entanto, como de costume, fui a sessão de terapia com o Dr. Jussieu - vou todas as terças e sempre ao mesmo horário. Faço terapia há anos e adoro. Acho que todo mundo deveria fazer, afinal quem é que não tem problemas mal resolvidos?
Ao entrar no meu carro, ainda na garagem do prédio, o céu literalmente caiu sobre a terra em forma de um temporal estrondoso ... o zelador do prêmio estava saindo para pegar a condução e com a chuva ofereci carona a ele até a rodoviária, que não fica longe de onde moro. Na saída, olhei para um lado, não vinha carro algum e nem parei. No entanto, na sequência tinha um outro pare e vinha vindo um carro. Meu Deus, pisei fundo no freio mas como o asfalto estava molhado fui patinando até quase colidir. Foi um baita susto e, logo imaginei o que seria andando por aí de carro no temporal.
O meu terapeuta fica na cidade de Piracicaba e dá cerca de 35 minutos da minha casa pra ir e o mesmo tanto pra voltar. No caminho já vi um caminhão baú no canteiro da rodovia, e uma das faixas estava interditada. A rodovia SP 304 realmente é um perigo quando chove. Eu, que sou pé pesado tomo o máximo de cautela sempre nessas circunstâncias.
Cheguei no consultório do médico e a chuva já tinha passado por Piracicaba. Como eu ando apenas de carro - a pé nem pensar - nem um guarda-chuva eu tinha na bolsa ou no carro. Como não tinha vagas disponíveis para estacionar em frente ao consultório, parei no quarteirão de cima.
Após a sessão de 40 minutos, hora do retorno. Mas quem é que conseguia entrar ou sair do consultório? Um temporal com ventos fortíssimos, muito aquem de qualquer guarda-chuva reforçado. E eu, que precisava voltar rápido, pois como professor e com o final do semestre, tinha que aplicar prova em uma das turmas. Fique presa sem poder fazer nada!!!
Como a chuva e o vento não demonstravam sinais de parar tão cedo, resolvi me arriscar. Sai no meio a chuva e ao vento, correndo de salto alto pela calçada, até chegar ao meu carro. Fiquei totalmente molhada, além de quase cair - se eu não caminho imagina só correr?
Dirigi devagar e novamente redobrei minha atenção. Fui sem janta direto à Faculdade. Apliquei a prova e, com fome, fui correndo pra casa - ainda bem que tinha parado de chover. Da Faculdade a minha casa mais ou menos 10 minutos, pego a mesma rodovia, vejo um caminhão no canteiro central mas sigo viagem, até que, de repente, o trânsito pára.
Pensei: algo errado. Deve ter sido um acidente!
Um caminhão carregando toras de madeira tinha acabado de perder o controle e ficou atravessado na pista, ocupando as duas faixas, e a carga ficou toda esparramada. A polícia não havia nem chegado ainda. Fique com o carro parado, em meio a um trânsito de marginal tietê em dia de chuva, e acabei até desligando o motor. Esperei por mais de uma hora, quando um polícial veio nos avisar que a carga demoraria a ser retirada, assim como o caminhão, e que o prazo estimado era de 4 horas. Meus Deus logo pensei!
Eles conduziram o trânsito a voltar pela faixa do acostamento, até uma alça de saída. Foi um verdadeiro caos e depois de quase duas horas, cansada e com fome, eu estava chegando em casa.
Como de costume, a medida que me aproximava do prédio fui pegando as chaves do apartamento e o controle remoto do portão mas ... havia acabado a energia elétrica na rua! O portão eletrônico não abria e, como não estava chovendo, peguei a lanterna que deixo no carro e entrei.
Esperei por mais três horas a energia voltar para tomar um banho quente e finalmente ir deitar. Tudo isso afetou o meu organismo, abalando o meu sistema de defesa e, no dia seguinte, uma gripe infernal seguida de dor de garganta. Ninguém merece!
Tive que me levantar cedo, pois tinha pre agendado a revisão de dez mil kilometros do meu carro às 7h30. Fui levar o veículo, o motorista da concessionária me trouxe e com o frio fui pra cama. E agora cá estou eu, toda "estrupiada"!
Muita desgraça para uma única pessoa em um único dia não é não?

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